Todo começo de ano concentra uma sequência de pagamentos e entregas que pesa no caixa de qualquer negócio. Em 2027, esse período chega com um agravante: é o primeiro trimestre com a CBS em vigor, com novos campos nas notas fiscais e com regras de emissão que muitas empresas ainda não testaram na prática. Ao mesmo tempo, os impostos início de 2027 se somam a despesas que não esperam: folha com o novo salário mínimo, férias, tributos sobre veículos e imóveis, reajustes de contratos e declarações anuais com prazo fixo.
A empresa que não reserva caixa em novembro e dezembro costuma descobrir o problema na terceira semana de janeiro, quando as guias vencem e o faturamento ainda não se recuperou das festas. Neste artigo, a KSA Contabilidade organiza as obrigações fiscais 2027 do primeiro trimestre, mostra quanto de caixa reservar e apresenta um checklist prático para atravessar os primeiros meses do ano sem multas, juros ou empréstimos de emergência.
Glossário: termos que aparecem no calendário fiscal

- DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional): guia única mensal que reúne os tributos das empresas do Simples Nacional e do MEI.
- DCTFWeb: declaração mensal que confessa os tributos federais e as contribuições previdenciárias. Desde 2025, substitui a antiga DCTF.
- EFD-Reinf: escrituração digital que informa retenções na fonte e outras informações fiscais não ligadas à folha.
- eSocial: sistema que reúne as informações trabalhistas, previdenciárias e fiscais sobre os empregados.
- FGTS Digital: plataforma de apuração e recolhimento do FGTS, com guia gerada a partir dos dados do eSocial.
- DEFIS (Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais): declaração anual obrigatória para empresas do Simples Nacional.
- DASN-SIMEI: declaração anual de faturamento do MEI.
- Informe de rendimentos: documento que a empresa entrega a empregados, sócios e prestadores com os valores pagos e retidos no ano anterior, usado na declaração de Imposto de Renda da pessoa física.
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): tributo federal que substitui PIS e Cofins a partir de janeiro de 2027.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): tributo de estados e municípios que substituirá ICMS e ISS de forma gradual.
- Capital de giro: recursos disponíveis para manter a operação entre pagamentos e recebimentos.
- Reserva de caixa: valor separado com antecedência para cobrir compromissos certos, como tributos e encargos, sem comprometer a operação.
Por que o início de 2027 exige mais preparo do que os anos anteriores
O primeiro trimestre sempre foi pesado. A diferença de 2027 está na combinação entre compromissos tradicionais e mudanças estruturais que começam a valer exatamente em 1º de janeiro.
O caixa chega enfraquecido a janeiro
Dezembro concentra a segunda parcela do 13º salário, as festas de fim de ano, as férias coletivas em muitos setores e, em alguns negócios, a queda de faturamento. Em janeiro, a empresa ainda paga os tributos e encargos referentes a dezembro, que costuma ser um mês de vendas altas para o comércio. O resultado é um descompasso conhecido: as saídas de janeiro refletem o movimento de dezembro, enquanto as entradas de janeiro refletem um mês mais fraco.
A reforma tributária muda a emissão de notas já no primeiro dia útil
Com a reforma tributária 2027, a CBS passa a valer com alíquota cheia, PIS e Cofins deixam de existir e as notas fiscais precisam trazer os novos campos de IBS e CBS. Para as empresas do Simples Nacional, o DAS continua a existir, mas a CBS ocupa o lugar de PIS e Cofins dentro da guia. O MEI também passa a recolher IBS e CBS em valores fixos dentro do DAS. Na prática, isso significa que:
- O sistema emissor de notas precisa estar atualizado antes da primeira venda de janeiro.
- Erros de cadastro de produtos e serviços podem gerar rejeição de notas e travar o faturamento.
- O valor dos tributos destacados muda, o que exige conferência das primeiras guias do ano.
- Clientes empresariais passam a conferir o crédito tributário destacado em cada nota.
A parte estratégica dessas mudanças, como a revisão de preços e do regime tributário, foi tratada no nosso guia sobre o planejamento financeiro 2027. Aqui, o foco está na execução: o que pagar, o que entregar e quando.
Calendário de impostos janeiro 2027 e do primeiro trimestre
Os prazos abaixo seguem as regras gerais em vigor. Quando o vencimento cai em fim de semana ou feriado, a data é ajustada conforme a regra de cada tributo, por isso a conferência com a contabilidade é indispensável.
Obrigações mensais que se repetem todo mês
- DAS do Simples Nacional: vence no dia 20 do mês seguinte ao faturamento. O DAS de dezembro de 2026 vence em janeiro de 2027.
- DAS do MEI: também vence no dia 20 e tem o valor recalculado com base no novo salário mínimo.
- INSS e demais contribuições pela DCTFWeb: a guia vence no dia 20, e a declaração deve ser transmitida até o último dia útil do mês seguinte.
- FGTS Digital: recolhimento até o dia 20 do mês seguinte à competência.
- EFD-Reinf: entrega até o dia 15 do mês seguinte, para empresas que tiveram retenções ou fatos a informar.
- ICMS e ISS: prazos definidos por cada estado e município, para empresas fora do Simples ou com recolhimentos específicos.
- IRPJ e CSLL no Lucro Presumido: apuração trimestral, com o pagamento referente ao quarto trimestre de 2026 até o fim de janeiro de 2027.
Obrigações anuais concentradas no início do ano
Além das guias mensais, o primeiro trimestre reúne entregas anuais com prazo fixo:
- Informe de rendimentos: deve ser entregue a empregados, sócios e prestadores até o último dia útil de fevereiro.
- Opção pelo Simei: o empreendedor que deseja se enquadrar como MEI tem até o fim de janeiro para fazer a opção.
- DEFIS: empresas do Simples Nacional entregam até 31 de março.
- DASN-SIMEI: o MEI declara o faturamento do ano anterior até 31 de maio.
- Escrituração contábil e fiscal anual: empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real entregam a ECD e a ECF entre maio e julho, mas o fechamento contábil de 2026 precisa começar em janeiro para que esses prazos sejam cumpridos sem atropelo.
Tabela: calendário resumido do início de 2027
| Mês | Compromisso | Quem precisa cumprir | Impacto no caixa |
| Janeiro | DAS, INSS, FGTS e tributos referentes a dezembro | Todas as empresas | Alto, pois reflete o faturamento de dezembro |
| Janeiro | IRPJ e CSLL do 4º trimestre de 2026 | Empresas do Lucro Presumido | Alto, com opção de parcelamento em cotas |
| Janeiro | Opção pelo Simei | Quem deseja atuar como MEI | Nenhum |
| Janeiro a março | IPVA de veículos da empresa | Empresas com frota própria | Médio, conforme o calendário do estado |
| Janeiro a março | IPTU de imóveis próprios ou locados | Empresas com imóvel | Médio, com desconto na cota única |
| Fevereiro | Entrega do informe de rendimentos | Empresas com empregados, sócios ou prestadores | Nenhum, mas a falta gera multa |
| Fevereiro | Folha com o novo salário mínimo e dissídios | Empresas com empregados | Médio a alto |
| Março | Entrega da DEFIS | Empresas do Simples Nacional | Nenhum, mas a falta gera multa |
| Maio | Entrega da DASN-SIMEI | MEI | Nenhum, mas a falta gera multa |
Compromissos financeiros do início do ano além dos impostos
Os tributos são apenas uma parte da conta. Os compromissos financeiros do início do ano incluem despesas que muitas empresas esquecem de provisionar.
Folha de pagamento e salário mínimo
A proposta de orçamento federal para 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741, valor que ainda depende de confirmação oficial. O reajuste afeta muito mais do que os salários de quem recebe o piso nacional:
- pisos estaduais e de categorias que tomam o mínimo como referência;
- pró-labore dos sócios fixado no valor mínimo, que serve de base para o INSS;
- contribuição mensal do MEI, calculada como percentual do salário mínimo;
- benefícios e adicionais calculados sobre o salário.
Além disso, muitas categorias têm data-base no início do ano. O dissídio coletivo pode gerar reajuste retroativo, o que cria uma diferença a pagar sobre meses já fechados.
Férias, rescisões e contratações
Janeiro concentra férias de empregados com filhos em idade escolar. O pagamento de férias deve ocorrer até dois dias antes do início do descanso e inclui o adicional de um terço. Empresas que encerram contratos temporários de fim de ano também precisam prever as verbas rescisórias.
IPVA, IPTU e taxas municipais
Veículos e imóveis em nome da empresa geram tributos com vencimento no primeiro trimestre. Estados e municípios costumam oferecer desconto para pagamento em cota única, normalmente entre 3% e 10%. Para aproveitar o desconto, a empresa precisa ter o valor disponível já em janeiro ou fevereiro. Taxas de alvará, licenças de funcionamento e vistorias também podem vencer nesse período.
Reajuste de contratos
Aluguéis, softwares, planos de saúde empresariais, seguros e contratos de prestação de serviço costumam ter reajuste anual. Muitos deles fazem aniversário em janeiro. Vale levantar cada contrato, o índice previsto e a data de reajuste para evitar surpresas no boleto.
Quanto de caixa reservar para o início de 2027
A pergunta mais prática do empresário é simples: quanto dinheiro precisa estar disponível em janeiro? A resposta depende do porte e do regime, mas o cálculo segue uma lógica clara.
Exemplo prático de reserva para o primeiro trimestre
Considere uma empresa de serviços do Simples Nacional com faturamento de R$ 120 mil em dezembro de 2026, alíquota efetiva de 8% no DAS e folha de R$ 30 mil:
- DAS de dezembro: R$ 120 mil multiplicados por 8% resultam em R$ 9.600.
- FGTS da folha: 8% de R$ 30 mil resultam em R$ 2.400.
- INSS retido dos empregados e demais encargos aplicáveis: cerca de R$ 3.000, conforme as faixas salariais.
- Férias de dois empregados: salário mais um terço, cerca de R$ 8.000.
- IPVA e IPTU em cota única: R$ 6.500.
- Reajuste de contratos e folha: diferença estimada de R$ 1.800 por mês.
Somente esses itens exigem cerca de R$ 31.300 disponíveis em janeiro, sem contar fornecedores, aluguel e despesas fixas habituais. Se o faturamento de janeiro cair 30% em relação a dezembro, a empresa precisa ter essa reserva formada antes do fim do ano.
Regra prática para formar a reserva
Uma referência segura é separar, a partir de novembro, um percentual fixo de cada recebimento em uma conta exclusiva para tributos e encargos. Para empresas do Simples Nacional, o percentual deve ser, no mínimo, igual à alíquota efetiva do DAS somada a cerca de 10% da folha mensal. Para empresas do Lucro Presumido, a conta precisa incluir também IRPJ e CSLL trimestrais.
Como o regime tributário altera o tamanho da reserva
O peso do início do ano varia bastante conforme o enquadramento da empresa:
- MEI: a reserva é pequena, porque o DAS tem valor fixo. O ponto de atenção é o aumento da contribuição com o novo salário mínimo e a inclusão dos valores fixos de IBS e CBS na guia.
- Simples Nacional: o DAS acompanha o faturamento, então um dezembro forte gera uma guia alta em janeiro. Empresas próximas da mudança de faixa precisam conferir a alíquota efetiva antes de projetar o valor.
- Lucro Presumido: além dos tributos federais mensais, o IRPJ e a CSLL do quarto trimestre de 2026 vencem em janeiro. É possível dividir esse valor em até três cotas mensais, com acréscimo de juros a partir da segunda, o que alivia o caixa, mas prolonga o compromisso até março.
- Lucro Real: a apuração é mais complexa e o fechamento de 2026 define ajustes que podem gerar imposto a pagar ou saldo a compensar, o que exige um fechamento contábil rigoroso logo no início do ano.
Em qualquer regime, a reserva deve considerar também os primeiros recolhimentos no novo padrão da CBS, que podem diferir dos valores de PIS e Cofins pagos em 2026.
Riscos de chegar despreparado ao início do ano

Ignorar o calendário de obrigações fiscais 2027 custa caro. Os principais riscos são:
- Multa e juros sobre tributos em atraso: a multa de mora sobre tributos federais chega a 20%, além da taxa Selic acumulada.
- Multa por atraso em declarações: DEFIS, DASN-SIMEI, DCTFWeb e EFD-Reinf têm multas próprias, mesmo quando não há imposto a pagar.
- Exclusão do Simples Nacional: débitos não regularizados podem levar à exclusão do regime no ano seguinte.
- Bloqueio de certidões: sem a certidão negativa de débitos, a empresa perde acesso a licitações, crédito bancário e alguns contratos com grandes clientes.
- Rejeição de notas fiscais: sistemas desatualizados para a CBS podem impedir a emissão de notas e paralisar o faturamento.
- Endividamento caro: a falta de reserva leva ao uso do cheque especial ou de capital de giro emergencial, com juros muito acima do custo de planejar.
Checklist: como preparar sua empresa ainda em 2026
Para chegar a janeiro com tranquilidade, siga esta sequência entre novembro e dezembro:
- Projete o caixa de janeiro a março com todas as guias, folha, férias e tributos anuais.
- Abra uma conta exclusiva para tributos e transfira um percentual fixo de cada recebimento.
- Confirme com a contabilidade a atualização do emissor de notas para os campos de IBS e CBS.
- Revise o cadastro de produtos e serviços com os códigos fiscais corretos.
- Faça a escala de férias de janeiro e fevereiro e calcule o valor de cada pagamento.
- Levante os contratos com reajuste no início do ano e o índice de cada um.
- Verifique o valor do IPVA e do IPTU e decida entre cota única e parcelamento.
- Atualize o cadastro de sócios, empregados e prestadores para emitir os informes de rendimentos sem erro.
- Organize os documentos de 2026 para o fechamento contábil e a DEFIS.
- Regularize débitos pendentes para manter as certidões em dia e evitar a exclusão do Simples.
Perguntas frequentes sobre os impostos do início de 2027
1- Quais impostos a empresa paga em janeiro de 2027?
Em janeiro, a empresa paga os tributos referentes a dezembro de 2026: DAS para optantes do Simples Nacional, INSS e FGTS sobre a folha e, no Lucro Presumido, os tributos federais mensais e o IRPJ e a CSLL do quarto trimestre. Conforme o estado e o município, IPVA e IPTU também podem vencer no mês.
2- O que muda nas notas fiscais em 2027?
As notas passam a trazer os campos de IBS e CBS, e PIS e Cofins deixam de existir. Empresas do Simples Nacional continuam a recolher pelo DAS, mas também precisam emitir notas no novo padrão. A atualização do sistema emissor é obrigatória antes da primeira venda do ano.
3- Qual é o prazo da DEFIS em 2027?
A DEFIS deve ser entregue até 31 de março de 2027 por todas as empresas do Simples Nacional, com as informações do ano de 2026. A entrega fora do prazo gera multa, mesmo para empresas sem movimento.
4- Quanto devo reservar de caixa para o início do ano?
Some os tributos e encargos de dezembro, as férias previstas para janeiro e fevereiro, o IPVA e o IPTU e os reajustes de contratos e folha. Para a maioria das pequenas empresas, esse valor fica entre uma e duas vezes a soma mensal de tributos e encargos. O ideal é formar essa reserva a partir de novembro.
5- O MEI também tem obrigações no início de 2027?
Sim. O MEI paga o DAS mensal até o dia 20, agora com IBS e CBS em valores fixos e com o valor da contribuição atualizado pelo novo salário mínimo. Além disso, precisa entregar a DASN-SIMEI até 31 de maio. Quem deseja se tornar MEI deve fazer a opção pelo Simei até o fim de janeiro.
Conclusão: comece 2027 com o calendário sob controle
Os impostos início de 2027 chegam ao mesmo tempo que folha reajustada, férias, tributos sobre veículos e imóveis, reajustes de contratos e as primeiras notas fiscais no padrão da reforma. A empresa que projeta o caixa do primeiro trimestre, forma uma reserva desde novembro, atualiza o emissor de notas e segue o calendário de impostos janeiro 2027 atravessa o período sem multas, juros ou empréstimos emergenciais. A que deixa para janeiro descobre o problema quando as guias já vencem.
O primeiro passo é transformar este artigo em números da sua empresa: quanto vence, quando vence e de onde vem o dinheiro. Para a visão completa do ano, consulte também o nosso guia de planejamento financeiro 2027.
A KSA Contabilidade cuida das obrigações fiscais 2027 da sua empresa, do cálculo das guias à entrega das declarações e à adequação das notas fiscais às novas regras. Fale com a equipe da KSA Contabilidade e receba uma projeção dos compromissos do seu primeiro trimestre de 2027 antes de janeiro chegar.